pontes, ponteiros
Galeria Graphias
A exposição "Pontes, Ponteiros" nasce do desejo de reunir uma seleção de pinturas e desenhos de Gabriela Sacchetto e Marcia Cymbalista em um mesmo espaço, apresentando conexões entre suas produções.
Galeria Graphias- Rua Joaquim Távora, 1605 - São Paulo
10 de maio à 31 de maio de 2025
Texto: Marco Buti
Em ponto, tanto quanto andar sem rumo
texto de Marco Buti
Robert Morris, em “The Present Tense of Space” (1978), aponta a inseparabilidade do espaço e do tempo reais, que batiza Presentidade. Na estúpida, brutalmente imposta e amplamente aceita vida unidirecional, menos radicalizada quando o texto foi escrito, não sobra espaço para a percepção de alguns degraus na esquina acidentada de um bairro nobre, não faz sentido valorizar pedaços de madeira aleatórios, sobras da atividade profissional dos marceneiros, andar pelas ruas imprimindo em papel pequenas marcas e logotipos comerciais em relevo, e ainda reconhecer artisticidade em tais insignificâncias. Coisa de biruta.
Mas a delicada biruta aponta e desaponta a cada instante a direção do vento, resultado das leis físicas oscilantes que possibilitam, com alguma segurança científica, o pouso e decolagem das aeronaves, carregadas de gente, bagagens, mercadorias e armas, empreendendo lógicas nem tão diversas. Tarefa hoje cumprida melhor pela eficiência tecnológica dos radares, sem a mesma poesia.
Desvia a atenção da paisagem andar de salto 15 pelos pisos desconexos de uma cidade cujo espaço público é resultado dos interesses das privadas empresas. Pouco se vê no curto trajeto entre o carro e o elevador, olhos no celular, ou pelas calçadas, com temor da presença dos empreendedores mais radicais. Desconfiança, desatenção e alarma não criam condições favoráveis aos estudos.
O sentido original de escola é tempo livre, em total conflito com o atual vício contador e métrico, apoiado pelos artifícios tecnológicos. Curiosidade e acaso geram conhecimento: não precisam ser domesticados como metodologia, estatística e investigação. Para o estudo peripatético, aconselham-se sapatos baixos.
Um ano é o intervalo de tempo que corresponde a uma revolução completa da Terra em torno do Sol, mas talvez não seja a medida mais adequada para vidas humanas, onde a semelhança e a diferença são inseparáveis. O ritmo mecanizado de segundos, minutos, horas, gera um atraso permanente, na multiplicação caótica de tarefas, nem sempre com sentido, mas inevitáveis para tentar uma vida ainda digna. Para o tempo inútil de apenas viver, é mais preciso o relógio parado no alto do prédio bonito. Será um luxo reservar espaço para a respiração, observando sem objetivos imediatos a vida das coisas?




















